quinta-feira, 7 de junho de 2012

Diário do Pará Online 

  

 Quando a Naza dá uma força aos romances

Foi durante a Trasladação do Círio no ano de 2005 que Bianca Araújo Della Lastra e Henry Brandão da Cruz se encontraram pela primeira vez. Ela, que é médica, estava trabalhando como plantonista em um posto de atendimento de urgência. Ele já estava na correria habitual por ser um dos voluntários efetivos da Cruz Vermelha – filial Pará.
Depois de um breve contato, Henry a procurou, dez dias após o encontro no Círio. Foi até a casa de Bianca e ela estava saindo para um plantão; ela disse que não poderia conversar com ele naquele momento. Na semana seguinte, decidiram ir para uma boate.
“Mas eu chamei a minha prima. Não ia sair com alguém que eu mal conhecia”, diz Bianca. E hoje, esse alguém que ela mal conhecia, que viu pela primeira vez apenas por alguns instantes, é seu marido.

Bianca e Henry já estão juntos há cinco anos. Desde que começaram a namorar, ainda em 2005, decidiram que iriam se casar.
Histórias como a de Bianca e Henry não são tão comuns. Normalmente os romances começam no Carnaval, nas férias de julho... O Círio, por ser um momento mais voltado ao encontro com familiares, dificilmente proporciona um clima de namoro. Mas é claro que muita gente aproveita a procissão de fé para pedir uma ajudinha à Virgem e assim resolver os assuntos do coração.
Em sete meses, Bianca e Henry começaram a namorar, noivaram e casaram. A família não acreditava muito que o relacionamento pudesse dar certo. Mas a vontade de ficar juntos e construir uma família foi mais forte.
Desde então, o período da semana do Círio tem um valor extremamente especial para eles. Hoje com dois filhos, Henry Jr., de cinco anos, e Anna Beatriz, de um ano e três meses, Bianca e Henry continuam a dedicar-se integralmente às atividades voluntárias da Cruz Vermelha.
As famílias de ambos já sabe: sábado e domingo eles estarão ausentes. “Até então eu não tinha muita fé. Achava o Círio mais um evento cultural do que religioso, que era para reunir a família, os amigos, almoçar, tomar umas cervejas”, conta. “Eu via a passagem da Santa, a romaria fluvial, a descida do Glória, o manto... mas me achava só mais uma no meio de tanta gente. Agora é diferente. Não estou apenas acompanhando o Círio, mas fazendo algo pelas pessoas”, relata a médica.
Em 2005, quando do encontro com Henry, ela sequer tinha interesse em participar do Círio, como plantonista. Estava em um posto da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) porque havia sido aprovada em concurso público para urgência e emergência, e deveria obrigatoriamente trabalhar naquela ocasião.
Bianca e Henry nunca imaginariam que suas vidas estavam prestes a mudar por completo. Ela já não acreditava em relacionamentos duradouros e havia terminado um noivado antes de conhecer Henry. Ele também, depois de um longo namoro, já estava solteiro. E com a benção da Nazica, naquele dia 8 de outubro, durante a trasladação, o encontro aconteceria.
“Não teve jeito. Pra mim, a gente já começou a namorar naquele primeiro dia”, conta.
Os filhos, também foram graças divinas. Bianca acreditava que não podia engravidar, por conta de problemas de saúde e de fortes tratamentos hormonais. Até que um dia decidiu parar de tomar os medicamentos.
“Parei por conta dos desconfortos, efeitos colaterais, mas sem pensar em gravidez”, conta. E foi em uma viagem a São Luís que ela começou a desconfiar que poderia estar grávida. Começou a enjoar ainda no ferry boat. “Chegando à capital maranhense, fiquei à base de muito café preto, peixe frito e arroz de cuxá”, diz.
E em 2008, Anna Beatriz nasceu, mesmo depois de uma gestação de risco, e cinco princípios de aborto. “Você acredita que agora que parei para pensar. Já são cinco anos... A gente nunca planejou muito: tem que terminar a faculdade, casar e ter filhos. Não dava muito para pensar, fomos deixando a vida nos levar”. (Diário do Pará)

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